Inovação à BRASILEIRA

Inovação à BRASILEIRA

A modernização dos processos produtivos do ponto de vista das áreas de Pesquisa e Desenvolvimento da indústria cosmética? Atualidade Cosmética quis saber diretamente dos profissionais e especialistas da área Nos dias que correm a indústria cosmética tem em suas mãos a missão de corresponder às expectativas de um consumidor cada vez mais exigente e atento aos reais benefícios e eficácia de seus produtos, além da preocupação, cada vez mais marcante, com o impacto ambiental causado pelos itens que consome.

Essa realidade faz dos departamentos de Pesquisa e Desenvolvimento, talvez o mais importante dentro do setor, principalmente no que diz respeito à inovação, instrumento essencial para a sobrevivência de uma marca ou produto no mercado. O impacto da química verde, das possibilidades de biotecnologia e a modernização dos processos químicos de formulação, de produtividade, relacionados à cadeia de abastecimento, além dos processos relacionados à transformação digital, todos passam pela excelência dos profissionais de P&D.

Para saber como isso vem impactando o os negócios hoje e nos próximos anos, Atualidade Cosmética consultou a cosmetóloga, Sônia Corazza; o consultor Jadir Nunes; Alberto Keidi Kurebayashi, diretor da Protocolo – Consultoria em Dermocosmética; Sula Hage, Farmacêutica e Bioquímica e Diretora de P&D da Bioage; Rosemary Miliauskas, química, consultora para P&D na Gyvenna Kosmétika; Adriana Gurgel, Diretora de Marketing do Grupo Alyne Cosméticos e Cosmetóloga, Vinicius Fausto, gerente da Nupill Cosméticos; e a diretora técnica da Aeroflex Indústria de Aerosol, Geisa Carla Cividini Miksza. Como você enxerga o impacto da química verde, das novas possibilidades geradas pela biotecnologia e todo o universo que acompanha a modernização dos processos químicos e da cadeia de abastecimento?

Como isso vem impactando o negócio hoje e o que podemos esperar para os próximos anos? Sônia Corazza: Otimizar o uso de recursos naturais através de tecnologias sustentáveis é a minha plataforma de trabalho há muitos anos: Química Verde, associada a Biotecnologia para fazer muito mais com muito menos. A Cosmetologia tem no seu DNA o dinamismo e essa visão abrangente faz da nossa área de atuação em P&D o vetor para transformar o mundo. Através do consumo de fórmulas de cuidado pessoal lastreadas nessa consciência conseguimos obter a performance desejada, ter segurança dermatológica, computar a biodegradabilidade e perpetuar a vida do produto em qualquer mercado do planeta. Simples assim! Jadir Nunes: Estes conceitos relacionados à química verde e biotecnologia já vem sendo estudados pela área científica há muitos anos e transformaram-se em fortes tendências que vieram para ficar. Hoje, devido também aos consumidores serem bem mais conscientes e questionadores, é mandatório que as empresas, para poderem crescer em seus negócios, considerem projetos relacionados a estas plataformas tecnológicas. Produtos naturais, orgânicos, veganos, e temas como probióticos, microbioma cutâneo, enfim, tudo isso vai continuar a se desenvolver nos próximos anos, com certeza. Alberto Keidi: Se existe um setor que não para de evoluir, modernizar, adequar e atualizar-se é o setor cosmético.

Seja no lançamento de novos ingredientes quanto acompanhar as tendências e exigências do mercado consumidor. A preocupação com o meio ambiente sempre foi um ponto levado em conta na cadeia de produção cosmética, porém, atualmente pontos como sustentabilidade, biotecnologia, green e blue beauty tem sido um forte driver, já incorporado nos processos de desenvolvimentos de produtos cosméticos. Nossos pesquisadores brasileiros detêm um dos níveis mais altos de capacitação, possibilitando assim a criação de produtos diferenciados que são referências globalmente. Sob o ponto de vista do cientista desenvolvedor de produtos muitos pontos devem ser considerados. Por exemplo, nem sempre o verde e natural é mais seguro ou tem a melhor performance. É necessário fazer o balanço na escolha de um ingrediente natural frente a um sintético, avaliam-se pontos como segurança, performance, eficácia, custo, sazonalidade, pois não basta apenas fazer uso de ingredientes considerados verdes, todos estes pontos devem ser criteriosamente estudados. A biotecnologia vem em parceria com essas tendências em se buscar ingredientes que não degradem a natureza, inicialmente focada em produção de enzimas, hoje a biotecnologia é aplicada na obtenção de tensoativos, com benefícios de serem mais suaves e de fontes renováveis. Quando se fala em ingredientes provenientes da química verde vários pontos devem ser considerados, principalmente no que tange ao seu fornecimento, avaliando cadeia produtiva e a sazonalidade de obtenção destes itens, devemos respeitar os ciclos da natureza.

Outros temas também são amplamente discutidos e considerados no segmento cosmético, como a preocupação com microplásticos, branqueamento dos corais, biodegradabilidade, logística reversa das embalagens etc. Sula Hage: A indústria e o mercado de cosméticos estão dando uma abordagem abrangente e agindo mais como uma marca de estilo de vida, indo além da pura beleza. Está rapidamente ganhando força e receita, refletida em reivindicações como: sustentabilidade, vegana, natural e orgânica. A beleza é algo que está em constante evolução, a beleza limpa ainda mais, pois agora buscamos defini-la, isso é mais do que uma tática de marketing. Existem três pilares vitais para as marcas de beleza modernas: luxo, eficácia e ingredientes limpos e conscientemente criados.

Os consumidores estão cada vez mais preocupados com a sustentabilidade e agora esperam que as marcas sejam ambientalmente amigáveis, criando assim oportunidades para as marcas enfatizarem métodos de produção sustentáveis e embalagens ambientalmente amigáveis. Hoje os consumidores tornaram-se mais conscientes dos ingredientes e a lista “INCI” dos produtos de Beleza e cuidados pessoais parece uma receita para a maioria dos compradores de beleza mais experientes, que procuram ingredientes que consideram seguros. Nós aqui da Bioage avaliamos diversos fatores para que a escolha final combine eficiência em suas formulações, listando a exclusão das matérias primas adequada a essa tendência verde “limpa” como matérias primas livre de origem animal, não testado em animais, parabenos free e formulações minimalistas, ajudando no menor impacto de gasto de energia na produção, para assim menos impacto ambiental possível.

Estamos trilhando um caminho de escolhas cada vez mais sustentáveis sócio e ambientalmente, utilizando também em nossas embalagens o material de polietileno verde de fonte renovável, proveniente da cana de açúcar. Além disso, nossa parceria com o selo “eureciclo” garante a compensação de resíduos pós consumo dos nossos produtos, através disso um investimento que reduz a poluição ambiental e apoia toda a cadeia de reciclagem, beneficiando 39 cooperativas de operadores privados de coleta e triagem. Rosemary Miliauskas: Ainda existe muita dúvida do que é um cosmético verde e o que são “sintéticos” por parte dos consumidores. Cabe a nós formuladores em conjunto com Marketing promover rotulagens mais informativas mostrando os benefícios dos produtos e o que significam. Não demonizar “sintéticos” porque eles também têm suas vantagens. Cabe a nós formuladores a escolha mais perfeita. Nem sempre o que é “natural” é mais sustentável.

Temos vários exemplos que beiram ao crime no impacto que causa no meio ambiente ou mesmo na sensibilização do consumidor. Vejo a Biotecnologia trazendo as modernidades que precisamos, com propostas de ingredientes mais inteligentes, com performance e com menos impactos ao meio-ambiente e ao ser humano. Mas a questão do abastecimento ainda está precária. Muita dificuldade nos prazos de entrega ou mesmo em custos o que inviabiliza muitos projetos. Precisamos de matérias-primas para ontem e com custos mais baixos dos atuais. Este é o desafio dos fornecedores. O conceito é ótimo, mas ainda está em nichos. Nunca fui contra utilizar ingredientes sintéticos pois são (na grande maioria), produtos que nos entregam performance, sustentáveis, padronizados e seguros. Não devemos “demonizá-los”, pois obtemos matérias-primas mais sustentáveis, padronizadas e também é possível com tecnologia limpa. Temos que ter coerência e bom senso nas formulações. Os maiores impactos, na minha opinião, são ainda custos altos, produtos que substituam totalmente os sintéticos (que podem ser de origem vegetal ou totalmente sintético), mas com a mesma disponibilidade e performance. Adriana Gurgel: Acredito que a adoção da química verde na maioria das empresas hoje ainda é vista como um grande desafio. Isso porque, trazendo para o nosso setor de Cosméticos, os insumos ditos “verdes” e “sustentáveis” ainda chegam ao mercado com um valor bastante elevado - duas, três vezes mais caros que os que não estão inclusos nessa nomenclatura e com tecnologia agregada -, tornando inviável a adoção apenas de matérias-primas desse perfil, com a manutenção de preços competitivos. Existe esse desafio para as indústrias em equacionar a adoção de insumos mais sustentáveis e conseguirem manter-se, ainda assim, competitivas no mercado. No Grupo Alyne Cosméticos, temos tentado implementar o máximo de mecanismos, soluções e alternativas que reduzam o impacto ambiental e permitam uma atuação mais responsável e sustentável, com o meio ambiente como um todo.

Hoje, por exemplo, 80% da nossa linha é livre de matérias-primas de origem animal. Estamos buscando, continuamente, nos atualizar em relação aos lançamentos mais tecnológicos e sustentáveis, mas, percebemos que ainda há pouca oferta e são matérias-primas que tem um alto custo, o que impactaria de sobremaneira no preço final. Embora saibamos que é uma excelente alternativa e que estamos caminhando para isso, hoje, o consumidor ainda não está disposto a pagar por isso, é algo cultural. A grande maioria das pessoas ainda não entende muito acerca dessas tecnologias agregadas aos produtos, que os tornariam mais caros.

Então, em se tratando de itens voltados para o público mais popular, é muito difícil conseguirmos agregar alta tecnologia a um produto que precisa ter um baixo custo para ser bem aceito no mercado, que o consumidor possa pagar por ele. Ainda são matérias-primas muito caras para acrescentarmos à formulação dos produtos mais populares. Seguimos em processo de estudo, no entanto, e em algumas matérias-primas a gente já vem fazendo as adequações. Mas, realmente, é muito desafiador conseguir esse tipo de material com um valor mais acessível. Penso que já poderia haver mais alternativas disponíveis no mercado nesse sentido ou, mesmo, incentivos, que hoje não existem. Então, ainda não é uma realidade trabalhar apenas com a química verde, mas é uma realidade que, sem dúvida, almejamos e perseguiremos para os próximos anos.

Geisa Carla Cividini Miksza: Nós, pesquisadores da Aeroflex, temos buscado sempre o compromisso com a sustentabilidade e a diversidade em toda nossa cadeia de produção, por isso, o desenvolvimento de novos produtos inclusivos e limpos está em nossas prioridades. Estamos focados em oferecer opções seguras e inovadoras e de alta qualidade para nossos clientes, porque entendemos que os consumidores estão cada dia mais buscando esse formato de produtos e empresas com essa preocupação.

Os fornecedores de matérias-primas também têm ampliado as ofertas de ingredientes cada vez mais sustentáveis. Isso nos permite ousar com menor impacto ambiental e que atendam às demandas de eficácia e segurança. Vejo que está surgindo uma nova era de consumidores cada vez mais conscientes e exigentes com os ingredientes com menor impacto ao meu ambiente e a busca pelo bem-estar está sendo critério indispensável no momento da compra. Para se ter uma ideia, a demanda desse mercado disparou desde o ano passado e, de acordo com um relatório de julho do NPD Group, cerca de 68% dos consumidores disseram que estão procurando por marcas de cuidados pessoais que se destacam por ingredientes “limpos”. Este novo formato de consumo, fez com que a Aeroflex trouxesse ao mercado uma evolução recente ao setor de desodorantes e antitranspirantes, que é o BemBio – um bio transpirante com tecnologia diferenciada de origem 100% natural para gerar menos impacto ao meio ambiente. Ele foi amplamente estudado para permitir ao consumidor estar livre da presença de sal de alumínio, álcool, parabenos e triclosan. Foram três anos longos que a empresa investiu fortemente em estudos e tecnologia para chegar ao lançamento deste grande produto que promete revolucionar esse setor. Vinícius A. Fausto: Há muito tempo a Nupill toca projetos de desenvolvimento de produtos que apresentam uma proposta mais de acordo com meio ambiente, produtos veganos, mais naturais, cruelty free e sem abrir mão da qualidade e eficácia que nossos produtos apresentam.

O mercado de insumos para este fim tem evoluído muito rápido, ao mesmo tempo que enfrentamos dificuldade no abastecimento de matérias primas a nível mundial. Isso tem impactado o timing de atender a demanda por novos produtos mais VERDES no mercado. Apesar da dificuldade, a Nupill está avançando nesse campo e já disponibiliza o selo Cruelty Free em todos os seus produtos. Pesquisas em fase final de aprovação e a comprovação dos resultados dão a segurança que em breve novos produtos irão destacar mais ainda o foco da indústria para oferecer produtos com menor impacto ambiental, unindo eficácia que o consumidor espera.

Assim, prezamos a qualidade e confiança do consumidor em nossos lançamentos. No que diz respeito aos processos relacionados à transformação digital, com eles vêm impactando a inovação dentro da indústria? Sônia Corazza: A aceleração em compartilhar informações proporcionada pela era digital nos posiciona como seres numa fase de transição completamente única na história da humanidade. Enxergo o P&D como muitíssimo comprometido em educar e conscientizar as pessoas de qualquer idade, o que também é pioneiro. Um indivíduo assim abastecido se torna muito mais responsável por suas escolhas e certamente mais apto a ser protagonista para qualificar a vida no planeta. Hoje, para ser um bom profissional do P&D, não basta ser um bom técnico, há que ser um ótimo caráter. Jadir Nunes: Hoje já está sendo usado a Inteligência Artificial na pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e conceitos em cosméticos, na área de fragrâncias e perfumes já temos lançamentos no mercado e em outros segmentos também logo teremos mais novidades.

Big data para entender melhor o comportamento dos consumidores neste mundo pós-pandemia também acredito ser outra forma de aparecerem novas tendências no futuro próximo. No varejo e nas vendas esta transformação já chegou, lojas virtuais, testers digitais, são alguns exemplos, já estão bem implementados. Alberto Keidi: Os novos hábitos dos consumidores em usarem e acessarem cada vez mais as tecnologias digitais foram os impulsionadores no crescimento do mercado cosmético neste setor. Não somente falando de um canal que cresce, como a venda online, mas por ação das diversas mídias os consumidores estão cada vez mais preocupados sobre a origem dos produtos cosméticos em todos os pontos de sua cadeia produtiva.

Assim vemos muitas marcas serem criadas e desenvolvidas para atender especificamente a estes consumidores que gostam da possibilidade de co-criarem, de fazerem parte em uma das etapas de desenvolvimento de um produto cosmético. Hoje uma empresa de má fé não consegue sustentar um falso benefício em seus cosméticos, os consumidores estão atentos e exigentes e isso é importantíssimo para elevar a qualidade dos cosméticos brasileiros. Sula Hage: O consumidor de hoje é consciente de vários quesitos no que se diz a saúde, autodidata por meio de mídias sociais, aplicativos, influenciadores e uma variedade de outros conteúdos, fazendo escolhas consideradas quando se trata de marcas de beleza e estilo de vida. Hoje a Indústria de cosméticos tem que adotar de uma forma ágil e didática quando se diz respeito a inovação, a facilidade de novos produtos que surgem no mercado está cada vez mais rápida. Se a indústria de cosméticos não se adaptar a este novo mundo digital, acaba ficando para trás. Rosemary Miliauskas: Sim, a transformação nestes últimos tempos foi enormemente acelerada.

Nos trouxe mudanças de comportamento e de hábitos. Tudo viraliza rapidamente tanto para o bem quanto para o mal. Criar expectativas inatingíveis hoje se torna cada vez mais um “suicídio” para as marcas. Os aplicativos estão vindo para contribuir na escolha do melhor produto para si. As experiências sensoriais estão sendo valorizadas e os aplicativos estão nesta rota. Hoje já se altera a cor e formato dos cabelos, identifica-se tipos de pele e problemas para saber o que é melhor para si. Adriana Gurgel: Investimos em tecnologia continuamente no Grupo Alyne Cosméticos, a fim de não só reduzirmos os custos de produção como também otimizarmos o operacional na fábrica, produzindo mais em um menor tempo e conseguindo economizar em insumos, como energia elétrica. A tecnologia tem nos ajudado muito também a controlar melhor os nossos custos e oferecer um produto de excelente qualidade e com um valor ainda melhor para o nosso consumidor, com a otimização do processo produtivo. Investimos muito em tecnologia da informação a fim de melhorar os processos. Geisa Carla Cividini Miksza:
A transformação na cultura de consumidores em busca de produtos cada vez mais sustentáveis também atinge a era digital das indústrias e, cada vez mais, os efeitos dos avanços tecnológicos são percebidos na realidade das pessoas, principalmente nos negócios.

A indústria experimenta resultados expressivos com redução de custos, inovando e modernizando processos, rompendo metodologias tradicionais e ultrapassadas para trazer ferramentas e soluções que garantam um melhor aproveitamento dos recursos, sejam eles humanos ou materiais. Essa transformação digital foi o grande fator que contribuiu às mudanças que levaram à era da indústria 4.0 e é uma realidade marcante no mercado. Vinícius A. Fausto: A Nupill tem buscado parceiros que já tem maior domínio da modalidade de ecommerce e temos feitos parcerias com empresas que complementam as deficiências que uma indústria tem para operar este canal, visto que sempre trabalhamos para atender distribuidores e varejo, não tendo estrutura nem tempo hábil de aprender e acompanhar este mercado em franco crescimento. Não podemos deixar o consumidor esperar. Temos que buscar nossos parceiros e viabilizar o comercio digital da melhor forma.

Nosso foco principal será sempre trazer inovações para o mercado disponibilizar aos consumidores e apresentar ao consumidor final gerando demanda. O abastecimento fica com nossos parceiros. 

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