Não é só proteger

Não é só proteger
Sensorial e efeito embelezador estão entre os atributos mais buscados, mas o preço ainda é barreira para o avanço do consumo de filtro solar no Brasil


Vale sempre reforçar que, embora a adesão tenha aumentado, o protetor solar está longe de entrar na wish list dos consumidores no Brasil. Atenta aos números e ao comportamento dos brasileiros que expõem essa realidade, a renomada dermatologista Ligia Kogos sugere uma alteração na comunicação, inclusive dos médicos. ?No Brasil, quando se diz 'use filtro solar para evitar câncer de pele', tem menos impacto do que falar 'use filtro solar para ficar bonita e não envelhecer e manchar a pele'?, compara. Ela observa em seu consultório muitas pacientes utilizarem o filtro pela motivação estética. ?Uma moça de 23 anos, que usa corretamente o filtro, diz que aplica direitinho porque não quer ficar com a pele envelhecida como a de alguém que viu na família?, exemplifica. ?Por isso, que tal enfatizarmos a ação embelezadora do filtro, que é o primeiro produto antienvelhecimento??, sugere.

As mulheres procuram, além do sensorial leve, um algo a mais. ?Na faixa mais sofisticada, elas procuram um diferencial, ou seja, um filtro que também possa acrescentar algo em termos de prevenção de envelhecimento. Chamam a atenção produtos que na sua fórmula tenham antirradicais livres e substâncias que combatam à degeneração do colágeno, por exemplo?, observa a dermatologista.

?A tendência do mercado é o lançamento de produtos adequados para a pele oleosa-acneica e protetores com cor?, destaca Orietta Balbontin, gerente de Marketing da Eucerin no Brasil. Ao encontro desse propósito, a marca alemã de dermocosméticos lançou em outubro uma nova geração de proteção solar facial, o Eucerin Sun Creme Tinted CC Cream FPS 60. Disponível em duas tonalidades, o produto proporciona um tom de pele uniforme e naturalmente bronzeado, com textura leve e toque seco, e é indicado para consumidores que apresentam manchas e imperfeições. ?Trouxemos esse lançamento para o Brasil, pois ele tem todos os benefícios e a proteção adequada de um protetor solar facial, ideal para uso diário, mas com cor e alta cobertura para facilitar a rotina de beleza?, explica Tatiana Ponce, diretora de Marketing.

Uma cosmética ruim ? pegajosa, ruim de espalhar, pesada, oleosa ? é algo limitador para os protetores entrarem na rotina diária das pessoas, de acordo com Barbara Gurgita, gerente de Comunicação Científica e Relacionamento Médico da La Roche-Posay, marca da L´Oréal Cosmética Ativa. ?Texturas adaptadas à pele brasileira, um país onde a incidência de pele oleosa é alta, associado ao alto e poderoso sistema de proteção são a chave para uma boa aceitação do produto.? Nesse sentido, segundo Rodrigo Fraga, gerente de Marketing da marca de proteção solar Anthelios, da La Roche-Posay, que destaca o desenvolvimento do UV Patch, um adesivo que pode ser colado na pele e, que, associado ao uso de um app em smartphone,, ajuda o usuário a monitorar o nível de exposição UV ao longo do dia.

Para o próximo verão, a marca lançou a linha XL Protect, que oferece a expertise de proteção Anthelios, marca de proteção solar da La Roche-Posay, para raios UVA e UVB, com textura leves e hidratantes, em opções para o corpo e para o rosto. Já a linha Anthelios Airlicium foi desenvolvida especificamente para o Brasil. ?Uma textura leve, com controle inteligente da oleosidade, proporcionando sensação de pele limpa, atributos que são muito valorizados pelos brasileiros?, acrescenta Barbara.

Sensorial e textura
O consumidor tem buscado aliar praticidade e resultados. É o que observa Maria Eliza Samy, especialista de mercado da Univar, distribuidora de ativos e ingredientes Cosméticos, que acredita que por isso, as pessoas venham optando mais e mais por produtos que ofereçam um pacote completo: textura, sensorial, com efeitos imediatos, como preenchimento, soft focus, e alta proteção UV, podendo ter ativo dermatológico ou não. ?Neste caso, há a identificação de que o produto consumido possui maior valor agregado e proposta com benefícios perceptíveis, diferente dos que contêm apenas fotoproteção e são mais utilizados quando a área da exposição solar é maior e mais intensa?, explica.

Está comprovado que no dia a dia o consumidor usa mais produtos com outros atributos integrados. Por isso, o lado sensorial é muito explorado por outra empresa de ingredientes cosméticos, a Lubrizol, que trabalha com polímeros para diminuir a necessidade de adição de materiais graxos como as ceras utilizadas para aumentar a viscosidade. ?A utilização de polímeros também melhora o sensorial do produto, pois não tem o sensorial ceroso e nem oleoso conferido pelos materiais lipofílicos utilizados como espessantes, e é excelente na estabilização da formulação, ajudando a diminuir custos?, esclarece Cláudio Ribeiro, analista de aplicações de Skin Care da companhia.

Entre os produtos oferecidos estão os polímeros emulsionantes, como o Avalure Flex 6, lançado na In-Cosmetics Paris. ?Esse ingrediente é uma nova solução altamente benéfica para o mercado, desenvolvido para atender às expectativas dos consumidores por produtos que propiciem propriedades sensoriais através de uma cobertura mais uniforme, esteticamente perfeita e formulações mais sofisticadas. Ele ainda proporciona maior proteção e resistência à água em produtos desenvolvidos para proteção solar, além de maior duração e cobertura mais uniforme em produtos para maquiagem.? Vale destacar que os sprays e filtros para esporte conquistam espaço devido à resistência à água, graças aos polímeros especiais que possibilitam aos filtros resistirem bem à água e à prática de esporte.

A Symrise também introduziu na In-Cosmetics novos dados do produto Dragosine, que protege a pele contra os danos causados pela luz visível, especialmente a fração azul que induz a processos de hiperpigmentação persistente da pele. ?Além disso, este ativo também protege dos danos causados pela radiação infravermelha A, que leva ao envelhecimento por estimular a enzima MMP-1 que degrada o colágeno. Também protege a pele dos danos da radiação UV, além de ser um antioxidante, antiglicante e estimular a síntese de colágeno?, explica Luciene Bastos, gerente regional de negócios da Divisão de Cosmetic Ingredients da empresa.

Já o SymUrban é um ativo que protege a pele contra os danos causados pela poluição, que pode ser usado em fotoprotetores de uso diário para prevenir o aparecimento de manchas na pele, processos inflamatórios, degradação de colágeno e estresse oxidativo desencadeados pela poluição. ?O consumidor quer um produto que irá protegê-lo dos danos da radiação solar, que espalhe com facilidade, seque rapidamente, não deixe pegajoso, grudento, nem com a pele esbranquiçada. Produtos que associam outros benefícios, como antienvelhecimento e clareador da pele também levam o consumidor a aderir ao uso de fotoprotetores?, observa Luciene.

Preço como limitador
O valor cobrado é um impedimento para mais pessoas aderirem ao uso diário do produto. Prova disso é que há uma divisão relacionada ao ponto de venda. No supermercado são encontrados os filtros de fácil acesso, de marcas conhecidas popularmente. Os protetores mais sofisticados estão disponíveis em farmácias direcionadas a consumidores da classe média alta.

A somatória do custo, desde a fase da pesquisa, desenvolvimento, testes de eficácia, marketing, registro e produção dos fotoprotetores, impacta diretamente o consumidor. ?Com isso, a proposta de trabalhar e explorar os benefícios dos ingredientes inteligentes e sinergias entre matérias-primas nos produtos é uma crescente, pois o valor agregado torna os produtos mais interessantes para quem produz e aos olhos de quem compra?, avalia Maria Eliza, da Univar.

O analista da Lubrizol acrescenta que as matérias-primas e a quantidade utilizada em um produto, que aumentam proporcionalmente ao fator de proteção declarado nos rótulos, encarecem as formulações de filtro solar. ?Outro fator diz respeito à estabilização das formulações, mais complexa quando se compara a uma formulação cosmética comum, como um hidratante. Aos fotoprotetores são necessários, por exemplo, adicionar matérias-primas para solubilizar filtros orgânicos, dispersar melhor os filtros inorgânicos e emulsionar efetivamente a alta carga de filtros?, adiciona Cláudio Ribeiro.

Há ainda o elevado imposto cobrado sobre o produto que os pontos de vendas são obrigados a pagar antes de comercializá-lo. ?Isso faz com que o ponto de venda tenha que investir capital antes de conseguir vender, e aumentar o preço para o consumidor final?, destaca Ligia.

Mesmo diante da discussão do preço, um estudo sobre Bronzeador e Protetor Solar, realizado em novembro de 2015 pela Mintel, apontou que 23% dos brasileiros disseram ter interesse em pagar mais para ter produtos faciais que combatam ao mesmo tempo os raios UV e outros danos externos, tais como a poluição. ?Há espaço no Brasil, portanto, para produtos de cuidados com o sol com fórmulas que apresentem em sua composição ingredientes que combatam os danos externos e protejam a pele não somente do sol, como também de outras agressões do meio ambiente?, indica Juliana Martins, analista de beleza e cuidados pessoais da empresa de pesquisa de mercado.

Ainda segundo o levantamento, 20% dos usuários de filtros utilizam produtos desenvolvidos especificamente para o seu tipo de pele, livre de ingredientes químicos e que contêm vitaminas e minerais. ?Investir em canais de compra com pessoas especializadas para analisar a pele dos consumidores pode ser uma oportunidade para estimular a compra de produtos de acordo com a necessidade?, finaliza.

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