Novo apelo para a pele

Novo apelo para a pele
Em busca de solução para os efeitos nocivos da poluição, empresas investem no desenvolvimento de ingredientes; marcas já observam produtos antipoluição como uma necessidade no quesito proteção


Segundo um levantamento da OMS (Organização Mundial de Saúde) divulgado em maio deste ano, os índices de poluição em São Paulo são duas vezes superiores aos testes estabelecidos pelo órgão para considerar a qualidade do ar aceitável. A taxa na cidade é de 19 microgramas de PM 2,5 por metro cúbico. Os dados se concentram na avaliação das partículas PM 2,5, as menores e com maior potencial de afetar diretamente os pulmões. Mas, e a pele, sofre os efeitos nocivos da poluição atmosférica?
De acordo com análises apresentadas no Congresso Mundial de Dermatologia, realizado em Vancouver (Canadá) em 2015, pacientes mais expostos à poluição apresentam maior número de queixas cutâneas, especialmente comedões (cravos), inclusive em peles consideradas mais secas. Além disso, há aumento considerável de manchas nas maçãs do rosto. “O fenômeno da poluição é motivo de preocupação e vem sendo estudado nas principais metrópoles ao redor do mundo. Ela provoca diversos problemas como: respiratórios, irritação nas mucosas, na pele, alergias, etc.”, ressalta Cristina Vendruscolo, cientista da multinacional norte-americana Johnson & Johnson.

O movimento de produtos antipoluição já é uma tendência em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil. O objetivo é ir além de estimular o metabolismo cutâneo de epiderme e derme. “Até pouco tempo falava-se muito apenas da radiação ultravioleta como um fator externo causador de danos à pele. Hoje sabemos os danos que os componentes da poluição atmosférica também podem causar”, destaca Cláudio Ribeiro, responsável pela área de Skin Care Application da Lubrizol, fabricante de ativos e ingredientes para a indústria cosmética.

Enquanto isso, estudo realizado pela gigante francesa L’Oréal sobre os “Inimigos da beleza”, com seus consumidores em diversos países, revelou que a poluição ganha relevância e já é um dos danos mais mencionados. Em agosto de 2015, a marca publicou a confirmação de que os poluentes presentes no ar contribuem como potentes catalizadores do estresse oxidativo da pele. Afinal, a poluição é responsável pela perda de até 60% de colágeno, que gera a diminuição da firmeza e o aparecimento de rugas e linhas de expressão.

Estudos clínicos também foram feitos pela L’Oréal na China e no México (países com altos índices de poluição) com o objetivo de levantar as consequências da exposição da pele em um ambiente com poluição. “Os resultados indicaram claramente que a pele recebe um impacto da poluição e modifica, por exemplo, a secreção de sebo e a sua composição, o dano oxidativo e a perda de propriedades de barreira, gerando uma hipersensibilidade cutânea. Esse resultado reforçou nossa ânsia de compreender melhor o mecanismo por trás desse efeito para fornecer as melhores soluções aos nossos consumidores”, comenta Blaise Didillon, diretor de Pesquisa & Inovação da L’Oréal Brasil.

Investimento em fórmulas com antioxidantes
O benefício de proteção contra poluição começa a se fazer mais presente nos rótulos dos cosméticos. “A busca por ingredientes que combatem ou minimizam os danos causados pela exposição a esses agentes agressores é cada vez maior”, corrobora Vanessa Silva, coordenadora de Tecnologia & Inovação da Cosmotec, distribuidora de ingredientes e ativos para a indústria de beleza.

“É preciso entender que o impacto da poluição na pele se dá pelos radicais livres gerados pelos agentes poluentes e, para combatê-los, é preciso usar produtos com antioxidantes”, explica Cristina. Nesse sentido, a Johnson & Johnson tem investido no desenvolvimento de produtos com princípios ativos que minimizem o impacto da poluição sobre a pele. É o caso da sua marca de dermocosméticos RoC, que oferece alguns produtos no portfólio com ação antioxidante. Lançado em 2014, o anti-idade C-Supérieur 16% com vitamina C pura, ajuda a prevenir e reverter o envelhecimento da pele. “Trata-se do primeiro produto lançado no mercado com alta concentração de vitamina C pura que atende a todos os pré-requisitos necessários para uma boa permeação e estabilidade do ativo.”

No portfólio da marca ainda consta a linha de proteção solar Minesol Antioxidant (Gel Creme FPS70 e o Serum antioxidante FPS30) com extrato de Feverfew. Segundo Cristina, o produto possui expressiva e comprovada ação antioxidante, que ajuda a preservar a integridade da pele, além de proteger as fibras de colágeno da degradação e retardar o envelhecimento precoce.

Com o objetivo de aumentar o conhecimento das pessoas sobre os prejuízos causados pela poluição, a SkinCeuticals vem promovendo a campanha #ContraPoluição, que visa reforçar com as consumidoras que o tempo não é mais o maior inimigo da pele. A marca americana, que faz parte da Divisão de Cosmética Ativa da L’Oréal, oferece produtos formulados com vitamina C pura e estabilizada com penetração otimizada na pele, devolvendo o colágeno, tratando as rugas e perda de firmeza. É um tratamento antienvelhecimento conhecido por corrigir danos causados pelo sol e poluição, por tratar e proteger o fotoenvelhecimento além de neutralizar a ação dos radicais livres na pele.

Já o Sérum 10, é uma combinação de Vitamina C pura a 10% com Ácido Ferúlico, que potencializa o efeito antioxidante, enquanto o Phloretin CF 30ml é um sérum antioxidante com alta concentração de vitamina C pura e phloretin para corrigir e prevenir os sinais do envelhecimento. Outra marca da L’Oréal, só que da sua Divisão de Luxo, a também americana Kiehl’s desenvolveu o Skin Rescue, uma fórmula altamente eficaz que reduz os sinais visíveis de estresse na pele. O produto promove uma barreira que, além de promover a recuperação, atua como escudo e ajuda proteger a pele.

“A poluição é um agente que merece a nossa atenção e, além dela, a incidência de raios UV, especialmente no Brasil. Consideramos que todas as agressões recebidas pela pele, por ser um órgão do corpo, não são só estéticas, mas de saúde. Pele danificada é uma barreira aberta para a entrada de outros agentes agressores dentro do organismo”, alerta Blaise Didillon. “Os produtos cosméticos podem ser aliados na melhoria dos sintomas, principalmente na pele, dos danos causados pela poluição ambiental”, emenda a cientista da Johnson & Johnson, para quem produtos com ativos antipoluição são uma necessidade.



Novas propostas em ingredientes

Com a proposta de blindar os efeitos nocivos da poluição na pele, no final de 2015, a Lubrizol lançou o Pollushield. O ativo desenvolvido pela Lipotec consiste na composição de um polímero com propriedade quelante e um potente antioxidante. “A atuação se dá em duas frentes. O polímero ‘pinça’ as partículas de poluição, impedindo que entrem em contato com a pele. Aquelas que conseguirem passar serão bloqueadas pelo antioxidante, que atuará como um eliminador de radicais livres, pois age no nível mais interno”, explica Cláudio Ribeiro.

Segundo ele, a junção de filtro solar e de ativo antipoluição em um produto pode desacelerar o envelhecimento da pele. “Se você tem um bom produto que impede a passagem do ultravioleta A e B, e um bom produto antipoluição, que além disso ainda tem efeito antioxidante, haverá uma boa blindagem da pele”, afirma. É possível, como orienta Ribeiro, o Pollushield ser acrescentado a produtos de banho, hidratação, tratamentos, loções faciais e corporais. Há apenas uma ressalva: “Como é um polímero quelante, ele ‘pinça’ metais pesados, chumbo, arsênio, zinco e ferro. Se houver na formulação algum componente metálico ou íon, a ação será diminuída”, exemplifica.

Para testar a eficácia do produto, a Lubrizol escolheu Pequim, capital da China, que registra elevados índices de poluição atmosférica. Em novembro de 2015, o ar superou em mais de 30 vezes o nível máximo de partículas PM 2,5 recomendado pela OMS. Uma fórmula com o Pollushield foi aplicada em um lado da face, enquanto no outro lado foi utilizada a mesma fórmula sem o ativo. “Em um dos testes, após seis horas de exposição à poluição do dia a dia, foram retiradas camadas superficiais da pele, por meio de um método indolor e sem danos para a pele, com o objetivo de medir a quantidade de poluentes que o produto conseguiu reter”, explica Cláudio Ribeiro, da Lubrizol.

Outro tipo de avaliação foi a propriedade oxidante do produto após o uso contínuo pelas voluntárias. A deposição das partículas de poluição sobre a pele foram avaliadas após 15 e 30 dias, por videomicroscopia para analisar as partículas de poluição aderidas à pele antes e após o enxágue. Segundo a empresa, o teste evidenciou a adesão das partículas de poluição nos lados da face com e sem o ativo. No entanto, após o enxague, na lateral da face com o Pollushield, as partículas foram removidas, pois o ativo atuou como uma barreira.

A Cosmotec também oferece uma ampla gama de opções aos clientes que queiram formular produtos com o claim antipoluição. Uma delas é o Purephos Alpha (Cosmotec/Nikkol), um emulsionante O/A (óleo e água) com benefícios de ativo. “Ele possui a capacidade de formar estrutura de gel (silicone soft em gel), conferindo um filme substantivo e coeso que atua como barreira protetora, mantendo a viabilidade e função celular da pele exposta à poluição”, explica Vanessa Silva, da Cosmotec.
Já o GPS-S (Cosmotec/Innovi) é um ingrediente inovador com alta afinidade pelas primeiras camadas da epiderme, desenvolvido para reforçar a função de barreira cutânea e manter os ingredientes na superfície da pele. “O GPS-S evita a permeação de moléculas potencialmente tóxicas, conferindo proteção contra agentes agressores externos como a poluição.” Outra opção é o Phyto Vie Defense (Cosmotec/Tri-K), um biopolímero derivado de fontes renováveis que forma uma camada protetora sobre a pele, protegendo-a contra agen tes poluentes e danos ambientais.

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