Anti-celulíticos: hábitos que pesam

O corpo é praticamente um estandarte para a mulher! Ainda assim, as brasileiras ainda não adquiriram o costume de usar produtos – como os anti-celulíticos – para tratamento corporal devido a alguns fatores, que passam por hábitos, prioridades femininas e chegam até os custos praticados na categoria
 
 
O culto ao próprio corpo começa cedo, desde os primeiros anos da adolescência. E mesmo que a vaidade masculina também esteja aflorada para diversos homens, é entre as mulheres em que o corpo é motivo de grande preocupação. O surgimento de irregularidades na pele, como celulite e estrias, tira o sono e chega a derrubar a auto-estima das mulheres. No caso das que vivem no Brasil – por se tratar de um país tropical, onde a exposição do corpo é muito maior em praias, piscinas e mesmo no dia a dia – a atenção com o corpo é redobrada se consideramos o uso de roupas mais leves para encarar o calor que domina a maior parte do território nacional, durante um grande período do ano. Com isso, a procura por meios para dar um fim a esses “pesadelos femininos” acentua-se e alternativas para este fim existem, mas seu desempenho por aqui ainda é difícil mensurar.

Vamos falar especificamente de celulite, embora o caso das estrias seja muito similar. Esta alteração do tecido subcutâneo – que surge devido ao aumento de depósito de gordura, localizado em zonas muito específicas; retenção de líquidos; acumulação de toxinas; alteração da microcirculação e degeneração do tecido conjuntivo subcutâneo; e se acumula principalmente nas coxas e glúteos – faz parte da realidade da maioria das mulheres e também dos homens, e entre as opções para tratá-la, é possível indicar os procedimentos existentes em salões estéticos profissionais e o uso de cremes anti-celulíticos.

Quando analisamos justamente a necessidade da realização de um tratamento corporal por meio de produtos, o buraco não é nas coxas nem nos glúteos, e sim mais embaixo. Por diversos motivos, as brasileiras não possuem o hábito de realizar este tratamento com as próprias mãos, em suas casas. Para sustentar esta afirmação, sempre vem à tona a péssima colocação do País em termos de venda de produtos corporais em todo o mundo, estando algumas posições abaixo quando comparamos com o tratamento de problemas faciais, como acne, e até mesmo com hidratação do rosto.

“Acabam indo para o rosto...”
Se o corpo é tão valorizado no Brasil, seu tratamento deveria ser prioridade para as mulheres e elas deveriam não medir esforços para deixá-lo no estado que tanto desejam, certo? Errado! Pelo menos é o que avalia Carolina Marçon, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Segundo a profissional, mesmo que haja no Brasil um culto à beleza e uma certa exigência por manter uma aparência bonita, as mulheres priorizam muito mais o rosto. “Eles querem reduzir celulite ou flacidez. Sempre há esta preocupação. Porém, na hora que percebem que é caro realizar este tipo de tratamento, acabam indo para o rosto, mesmo que seus cuidados também exijam um bom investimento. E também não é preciso lembrar que todos os produtos no País são mais caros por conta dos impostos”, situa a profissional. Para ilustrar este cenário, Carolina cita o exemplo de uma empresa que queria trazer para o Brasil uma linha de tratamento corporal bastante conhecida internacionalmente. Porém, após uma série de pesquisas de mercado por aqui, a companhia desistiu por conta dos altos custos para realizar esta inclusão.

A indústria cosmética possui um amplo portfólio para realizar o tratamento anti-celulítico em casa e os fabricantes de ingredientes seguem oferecendo fórmulas e descobrindo novas combinações para trazer resultados cada vez melhores para as consumidoras. Entretanto, o fato de haver diferentes especificidades entre estes produtos faz com que a compreensão acerca do item mais adequado seja dificultada – fato este que pode ser ratificado pelo fato de que aquelas mulheres que utilizam algum hidratante corporal, use apenas os mais básicos.

Renata Guberfain, gerente de Marketing de Vichy, destaca que o corpo é utilizado como um forte elemento de poder de sedução e de beleza e cita números para afirmar isso. “Por conta deste fato, as expectativas da mulher brasileira com relação ao corpo são muitas: passam por uma pele lisa, sem celulite, sem estrias, hidratada, com uma tonalidade uniforme e saudável. De acordo com a pesquisa U&A (Uses and Habits – Ibope/L’Oréal), a penetração de uso de produtos corporais é bem alta no Brasil: 92% das mulheres utilizaram pelo menos um hidratante corporal nos últimos 12 meses”, exemplifica. Entretanto, Renata ressalta que esta rotina ainda permanece básica, mesmo que as expectativas sobre a beleza corporal sejam altas. “Isso comprova que, apesar de o mercado ter crescido fortemente nos últimos anos, acredito que possa se desenvolver ainda mais, oferecendo benefícios que vão muito além da hidratação: anti-celulite, redução de medidas, firmeza da pele, tonalidade homogênea”, avalia Renata.

Efetividade em xeque
Além da variedade de especificidades existentes entre os anti-celulíticos, os outros fatores que influenciam no surgimento da celulite também contribuem diretamente na questão dos hábitos. Talvez o que mais pese para as mulheres refere-se aos hábitos nutricionais, em que o consumo de determinados alimentos impacta diretamente na produção das características ligadas à celulite. Em paralelo com esta questão nutricional, pesa também o bom resultado contra a celulite que se obtém realizando exercícios físicos moderados. Eles auxiliam na melhora da microcirculação, na prevenção da aparição de novos depósitos de gordura e na tonificação dos músculos permitindo redefinir a silhueta corporal. Isso sem dúvida é outro fator influente no combate da celulite, pois nem todas as mulheres podem frequentar uma academia ou fazer exercícios por falta de tempo em sua rotina, por exemplo.

Há ainda outras ações que também dão a sua contribuição para o surgimento destes “incômodos dermatológicos”, como o uso de roupa excessivamente apertada ou ainda de saltos muito altos, pois ambos dificultam a correta circulação sanguínea. Fumar também é outra atitude que joga contra o corpo e, neste caso, a favor da celulite.

Esta influência exercida por estes fatores citados anteriormente, os custos dos produtos destinados a este fim e a efetividade destes itens, segundo Carolina, são suficientes para explicar a preferência das brasileiras por produtos para o rosto ao invés de priorizarem os itens para tratamento corporal. “A efetividade dos itens para tratamento corporal é difícil de mensurar, pois há uma série de variáveis que podem interferir, como a alimentação e a questão hormonal. Esses fatores podem influenciar diretamente no resultado de um produto e por conta disso, eles não obtêm credibilidade. Já quando isso é levado para os produtos para o rosto, não há tanto a intervenção destas variáveis, fazendo com que os resultados se tornem mais visíveis”, considera Carolina.

Opção contra este mal
Diante de todos esses fatores extras que influenciam nos poucos hábitos das mulheres brasileiras com itens de tratamento corporal, Renata Guberfain, da Vichy, aposta que produtos que oferecem múltiplos benefícios têm um grande potencial no Brasil, pois a rotina de cuidados com a pele precisa ser rápida, prática e eficaz. Além disso, a gerente também prega que a indústria poderia investir mais para obter entendimento da rotina da consumidora e para desenvolver produtos que atendam às necessidades delas. “Certamente, a indústria pode investir ainda mais aliando ativos às texturas leves e ideais para a pele da brasileira.”

A busca por diferenciação e por uma oferta além dos itens básicos é o foco da Vichy para atuar no Brasil. Sendo assim, a marca pertencente à Divisão de Cosmética Ativa da L’Oréal visa oferecer benefícios pouco explorados por outros players. “Para isso, temos produtos como Destock Ventre, que reúne três ativos consagrados para uma ação potencializada: cafeína pura a 5% – ativo já reconhecido por dermatologistas para a quebra de gordura localizada; complexo natural de erva mate e café verde – que potencializam a ação da cafeína, estimulando a quebra da gordura e inibindo o processo de reestocagem e peptídeos vegetais pró-tensores – responsáveis por dar firmeza à pele. Os resultados, comprovados através de estudos clínicos, revelam a redução média de 2,25 cm no abdômen e pele 70% mais firme do que somente com exercícios, após 28 dias de uso. E ainda o Celludestock, que conta com uma sinergia de ativos para acelerar a quebra da gordura e suavizar a pele com aspecto ‘casca de laranja’ em apenas sete dias, reduzindo medidas em 28 dias, inclusive em zonas mais resistentes”, sugere Renata.

Chance para crescer
Diante de todos estes pontos que fazem com que os produtos que integram a categoria de Tratamento Corporal ainda não seja tão explorada no Brasil, a indústria e os canais de venda também carregam consigo suas parcelas de culpa. Durante o Workshop Atualidade Cosmética – Dermocosméticos no Brasil, realizado em abril, em São Paulo, André Gostynski, diretor executivo da Ligia Kogos Dermocosméticos indicou que, quando se fala de tendências nesta categoria de dermocosméticos, normalmente se aborda apenas de produtos faciais. “Estamos ignorando talvez o principal ícone da mulher brasileira. Nós da indústria temos uma responsabilidade muito grande de enaltecer isso. Vimos que a mulher atualmente está em busca de igualdade. Temos números assustadores quanto à questão da exposição do corpo e a indústria tem que ser protagonista nisso. É uma oportunidade para se inserir. Temos que olhar mais para a mulher brasileira e entender que ela não expõe apenas o rosto”, relatou.

O dirigente lembrou ainda que, se olhar nas prateleiras de dermocosméticos nas farmácias, é possível ver que a maioria dos produtos são para cuidados faciais. “Quase não se encontra itens para estrias ou para celulite. E isso é algo que precisamos focar e é uma oportunidade sim para se diferenciar no mix. Isso faz com que esta variedade de produtos corresponda aos apelos da consumidora, de atendê-la com muita eficácia. Então, se for por questão de oportunidade, prefiro ir contra às tendências e sair um pouco do facial e do modelo europeu, e olhar para a mulher brasileira, que precisa ser mais valorizada por todos os players que atuam nesta categoria.”

Para que o desempenho dos itens que integram a categoria de Tratamento Corporal cresça no Brasil, Carolina diz que há dois caminhos para isso. O primeiro transita pelos lados da indústria. “Creio que se as companhias conseguissem apresentar ativos que garantam quase que totalmente a eficácia no tratamento corporal, isso ajudará muito a desenvolver a categoria, pois até mesmo os médicos teriam mais confiança para indicar tais produtos”, fala a dermatologista. E o segundo caminho, talvez, esteja longe do alcance da profissional ou de qualquer outra pessoa que atue nesta categoria, que é a redução dos impostos para que os custos que envolvem toda a produção também fiquem mais acessíveis.

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