Artigo de Opinião Naturais x Sintéticos

Artigo de Opinião Naturais x Sintéticos

Após consolidada a tendência de valorização dos óleos naturais no mercado, surge uma contra tendência no mercado europeu

O QUE, DE FATO, É IMPORTANTE PARA O CONSUMIDOR?

A perfumaria moderna sempre fez uso simultâneo de óleos naturais e sintéticos em suas criações, explorando de um lado, a diversidade e a originalidade das matérias primas criadas em laboratório e de outro, a intensidade marcante e as tradições dos óleos extraídos da natureza.  

Porém a atual valorização dos conceitos mais naturais, como uma forma de conexão com o planeta e volta às origens, levou à defesa desses óleos como melhores, inclusive sob aspectos ecológicos, e terminou por colocar os sintéticos, aos olhos dos consumidores, como aqueles que não são bons sob nenhum argumento. Mas é preciso entender melhor o que é relevante nessa polarização.

A verdade é que tanto os óleos extraídos da natureza, quanto os que criam novas moléculas em laboratório ou as copiam para substituir óleos naturais proibidos ou de custo muito elevado têm pontos positivos e negativos, porque nem tudo que é natural é, obrigatoriamente, bom e faz bem à saúde ou à natureza. E, nem tudo que é sintético é de baixa qualidade e inimigo do bem-estar humano e do planeta.

Por haver certa equidade de forças e fraquezas em ambos os lados, abriu-se um caminho para o surgimento de uma contra tendência ao uso dos óleos naturais, como sempre, em direção oposta: o mercado europeu já apresentou aos consumidores seus lançamentos em defesa do uso dos sintéticos.

Em 2021, a Frederic Malle, perfumaria de nicho francesa, lançou o Synthetic Jungle (Selva Sintética) criação apresentada como uma visão moderna da natureza, que valoriza e defende, abertamente, as matérias primas de origem sintética. 

No mesmo ano, o estilista japonês, Issey Miyake, lançou o A Drop d'Issey (Uma gota de Issey) que recria, sinteticamente, o aroma natural do lilás (Syringa Vulgaris) destacando, ainda, o uso de química verde, posicionando o produto como ecológico, por não agredir o meio ambiente em seu processo de produção e, é claro, sustentável, uma vez que suas matérias primas não são obtidas através de recursos naturais que possam ser esgotados. 

Nesse amplo panorama, meio à disputa pela preferência do consumidor, tendência e contra tendência lançam mão de características semelhantes relacionadas, não apenas às qualidades dos produtos, mas abraçam os conceitos de sustentabilidade e cuidados com o meio ambiente. O que aponta haver algo em comum na preferência do consumidor.

Perfumes elaborados com óleos naturais podem ser sustentáveis, desde que utilizem matérias primas, conteúdo e embalagens advindos do plantio ou extração não predatória (que não esgote os recursos naturais para produção futura, exigindo do consumidor uma busca cuidadosa de informações. E, por outro lado, as notas sintéticas, por não utilizarem recursos naturais em sua produção, têm conteúdo mais facilmente justificado como sustentáveis, por não explorarem recursos naturais finitos. 

Mas como citado, além dos atributos da qualidade e sustentabilidade, os novos produtos em defesa de sintéticos ou naturais comunicam, também, os cuidados com a natureza.

Isso deixa claro que para agradar o consumidor, grandes criações precisam ir além do básico sobre a origem natural ou sintéticas de suas matérias primas. É preciso haver o desenvolvimento de produtos que, obrigatoriamente, de forma ética e transparente, atendam aos desejos e informem corretamente os consumidores que buscam conhecer os produtos, suas propostas de desenvolvimento em relação aos conceitos de sustentabilidade e seu compromisso com a redução dos impactos ambientais não apenas na produção, mas no uso e descarte dos produtos.

Luciene Ricciotti

Publicitária, especialista em perfumaria e Branding Olfativo.  Instagram: @lu_riccioti-ti

Curadora e professora do curso O Potencial do Branding Olfativo no Marketin Sensorial da ESPM – Tech

Para se inscrever no curso, acesse o link:https://www.espm.br/cursos/dynamic/atualizacao/trends/o-potencial-do-branding-olfativo-no-marketing-sensorial/

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