O momento da perfumaria no Brasil segundo Renato Massara, da Wheaton Brasil

O momento da perfumaria no Brasil segundo Renato Massara, da Wheaton Brasil

Executivo fala dos resultados da vidraria puxados pelos bons números nas vendas de frascos para perfumes e do investimento da empresa para usar biogás extraído do lixão de Sapopemba, na zona sul de São Paulo, para aquecer os seus fornos

Dona de uma posição dominante na categoria de perfumaria, a Wheaton, uma das maiores vidrarias do mundo, é um bom exemplo de como o negócios de perfumes vem demonstrado aqui no Brasil um grau de resiliência bem acima da média. A empresa, que no início da pandemia acreditava que teria de desligar até dois fornos e 500 pessoas do seu quadro de funcionários, viu as vendas crescerem quase 20% em julho na comparação com o mesmo período do ano passado, acompanhando o bom momento da categoria, que avançou pouco mais de 20% em junho, segundo a Abihpec.

O movimento levou a Wheaton a antecipar a ligação de um forno, que havia sido desligado no início da pandemia, do final do ano para o início de agosto. A produção da empresa está com capacidade total ocupada pelo menos até outubro.

Em conversa com a reportagem de Atualidade Cosmética, o diretor de Marketing e Vendas da empresa, Renato Massara, diz que depois de vendas terríveis em abril, o mercado vem crescendo de forma gradativa, mas consistente, com aceleração nos meses de junho e julho. O executivo aponta que por conta do proceso de digitalização mais adiantado, a Natura foi a primeira marca a puxar o crescimento do mercado, mas que rapidamente, as outras marcas do mercado reagiram e também vem avançando nas vendas. Além da perfumaria, Renato destaca o avanço nas vendas de embalagens de vidros para outras categorias, especialmente esmaltes e potes para produtos de cuidados com a pele. "Estamos vendo crescimento em todas as categorias de beleza", comemora o executivo.

Fornos abastecios por biogás
Na área de sustentabilidade, a Wheaton está investindo no uso de biogás, retirado do lixão de Sapopemba, na zona sul da capital paulista, para a geração de calor dos seus fornos. Segundo Renato, trata-se da primeira inciativa na indústria de vidraria em todo o mundo a usar o biogás na linha de produção.

Renato Massara também falou do avanço no uso de vidro âmbar, tradicionalmente usado pelo mercado farmacêutico, na perfumaria. Isso porque o frasco Âmbar facilita o uso de uma quantidade maior de vidro pós-consumo, alcançando até 40% da composição do frasco. "Divulgamos pouco isso (o uso de vidro reciclado pós-consumo) no Brasil. Mas é algo que já fazemos aqui, mais até do que em outros mercados. A Natura já usa frascos de vidro com 20% de vidro reciclado pós-consumo há cinco anos. O Boticário fala disso há décadas", lembra o executivo da vidraria. Ele também explica que o uso de material reciclado pós-consumo diminui as emissões de CO2 uma vez que o material reciclado consome menos energia no seu processo de transformação.

Investimentos em inovação e no exterior
O investimento na Noar, startup que desenvolve cheiros digitais, é uma das novas apostas da Wheaton para gerar novos negócios. A empresa, que já vinha em busca de investimentos em empresas de inovação, segue aberta para realizar parcerias com startups que desenvolvam soluções e produtos inovadores que se relacionem com os mercados nos quais a vidraria opera.

Sobre internacionalização, Renato diz que esse é um dos principais focos da empresa. "Queremos alcançar 15% das nossas vendas no mercado internacional", diz o executivo. Ele conta que a empresa vem crcendo na América Latina, em particular puxada pelo crescimento da exportações para a Natura na América Latina. Mas o objetivo maior é conquistar um espaço no disputado mercado europeu, e isso será feito por meio de inovações, uma vez que a empresa não tem como brigar em preço com competidores chineses. "Estamos tratando com marcas europeias e senso ousados, na linha do use o meu frasco e se não der certo, não precisa pagar. Porque acreditamos na qualidade dos nossos vidros e nas inovações que estamos levando para lá", conclui Renato.

A entrevista completa você assiste aqui, ou no canal de Atualidade Cosmética no You Tube.

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